29.9.17

BALADA DA PORTA FECHADA


É a porta fechada
Dessa casa assombrada
No dizer das mulheres
Ligeiras no andar
E o vento a sussurrar
Vai chegar vai chegar
O tempo de arrombar
Essa porta fechada
Dessa casa assombrada
E a mulher a pensar
É comigo é comigo
Que ele está a falar
Amanhã vou voltar
Rente à casa passar
O meu ombro encostar
À ombreira da porta
Baixinho perguntar
Quem foi que te assombrou
Quem foi que te fechou
E a casa a responder
Alguém que não gostou
Da luz que em mim brilhou
E esta porta fechou
E sobre mim espalhou
Este manto de sombra
E as mulheres afastou
E os homens afastou
E o medo semeou
E desde então ninguém
Junto de mim passou
Nem sequer reparou
Que a luz não se apagou
E às vezes é luar
E às vezes nevoeiro
E às vezes é braseiro
A descair no mar
A mulher despertou
Não sabe se sonhou
Mas pela casa passou
E a porta estava aberta
E lá dentro era dia
E o vento sussurrou
Foste tu que mataste
A sombra que assombrou
A casa que voltou
A ser luz a ser guia
Tu que por mim passaste
Contra o medo lutaste
E o teu ombro apoiaste
Na ombreira da porta
Que não mais se fechou
Licínia Quitério

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