15.10.16

ROSTOS


De quem os rostos no desfilar das horas?
Perfilam-se, fixam-nos, sacodem-nos
da modorra, do fastio.
Interrogam-nos, perguntam-nos
e nós não respondemos.
Queríamos ser um deles,
vivê-los, se necessário amá-los,
arrancá-los à história, trazê-los,
sobre o nosso papel colar o deles.
Do impossível fazer casa,
fazer riso, mudar a pele,
partir à descoberta.


Nada a fazer.
O nosso rosto mora deste lado.
Entre nós e os outros
a película do tempo
que pode ser fugaz,
que pode ser eterno.


Licínia Quitério

1 comentário:

Graça Pires disse...

O rosto dos outros. O teu rosto. Consegues que dialoguem e mutuamente se interroguem...
Uma boa semana.
Um beijo, minha Amiga.

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