31.10.16

PARÁBOLA


Andam os nossos olhos assombrados
pela vastidão dos mares 

maiores que o medo
que a penúria.
No mar do meio é sempre noite.
Há uma hora a menos que aprisiona
as mãos cansadas de areia
os olhos encharcados de balas.
No ventre das águas
tem de haver florestas
árvores petrificadas
peixes cegos.
À tona há vultos
que se deixam pescar.
A praia é sementeira
de silêncios.
Se uma criança chora
as mulheres  dizem:
É o meu filho que se salvou das águas.
Para não enlouquecerem
as mulheres inventaram
as parábolas.

Licínia Quitério

1 comentário:

Graça Pires disse...

Tão comovente, Licínia.
Beijos.

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