15.9.16

UM VERBO


Olhas os cisnes a debicar as penas 
e pensas, quem me dera ser
a água onde se banham, 
o tronco reclinado no umbral da tarde 
que só os cisnes vêem, e pisam 
como se estrada fosse.
Lembras os dias de espuma 
da brancura dos cisnes
e segues a pensar, quem me dera.
No peito uma palavra a arder,
a afastar as sombras sob as águas.
Quem me dera um verbo 
que não cantasse.
É o que pensas.
É o que os cisnes pensam.

Licinia Quitério


2 comentários:

Manuel Veiga disse...

sereno e elegante como o deslisar do cisne. teu poema

ou será o tempo (teu) que assim deslisa.

gostei muito, querida amiga

beijo

Graça Pires disse...

Um beijo, Licínia.

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